ENTRE CASAS E BARRACÕES


Pelo que é que se define ser centro ou ser periferia? Pelo lugar que se ocupa num determinado mapa (aqui corre-se o risco de nos guiarmos pela geografia, muitas vezes ego-centrada, de quem o desenhou – como os mapas-mundo antigos que tinham sempre por centro a Europa); pela oferta de serviços – culturais, religiosos, de infraestrutura ou consumo – que se possibilita, ou pela quantidade e diversidade de fluxos e atividades humanas que se concentra (aqui pode enganar-se quem resume a vida e o mundo a números); por um determinado qualitativo populacional formado por indivíduos socialmente heterogéneos (aqui podem esquecer-se muitas "cegueiras epocais" que conviveram com ideologias obtusas de gente supostamente muito qualificada); ou será pela presença de ocupações não agrícolas (aqui pode cair-se no risco de ignorar que as formas mais evoluídas da vida são as que a natureza nos dá e não as que o ser humano fabrica)?
Venho a crer que o mais importante não é de onde viemos, nem tão pouco o que temos, mas o que fizemos com o facto de onde viemos e com o facto do que tínhamos, constituindo o que somos. Assim, quem à partida julga ser centro pode estar a ser uma autêntica periferia (ai de quem o ouse denunciar), e quem muitas vezes é empurrado pela vida, circunstâncias, ou pessoas, para a periferia, pode ser, na verdade, um grande centro. O Papa Francisco já nos falou por diversas vezes disto mesmo. Para Deus, as periferias são o centro!
Como centro ou como periferia, em casa ou no barracão (forma aparentemente simples de apresentar a vida pelo novo Big Brother Vip), impõe-se deixar de lado a soberba ("estar a cima de") e assumir a virtude ("dinamismo") da humildade (verdade).

P.e João Pedro Silva