UM CAMINHO JÁ COMEÇADO MAS AINDA NÃO ACABADO: A FÉ


As Virtudes Cristãs
AS “SETE LÂMPADAS” DA VIDA CRISTÃ


VIRTUDES TEOLOGAIS

A fé é a virtude teologal pela qual cremos em Deus e em tudo o que Ele nos e revelou e que a santa Igreja nos propõe para acredi-tarmos, porque Ele é a verdade. Pela fé, «O homem entrega-se total e livremente a Deus» (DV 5). [CIC 1814]

Esperança
A virtude da esperança responde ao desejo da felicidade que Deus colocou no coração de todo o homem; assume as esperanças que inspiram as atividades dos homens, purifica-as e ordena-as para o Reino dos Céus; protege contra o desânimo; sustenta no abatimento; dilata o coração na expectativa da bem-aventurança eterna. O ânimo que a esperança dá preserva do egoísmo e conduz à felicidade da caridade. [CIC 1818]

Caridade
A caridade é a virtude teologal pela qual amamos a Deus sobre todas as coisas, por si mesmo, e ao nosso próximo como a nós mesmos, por amor de Deus. [CIC 1822]


VIRTUDES CARDEAIS

Temperança
O homem temperante é aquele que é senhor de si mesmo; aquele em que as paixões não tomam a supremacia sobre a razão, sobre a vontade e também sobre o coração. Entendamos portanto como a virtude da temperança é indispensável para que o homem seja plenamente homem, para que o jovem seja autenticamente jovem. O triste e aviltante espetáculo dum alcoólico ou dum drogado faz-nos compreender claramente como "ser homem" significa, antes de qualquer outra coisa, respeitar a própria dignidade, isto é, deixar-se conduzir pela virtude da temperança. Dominar-se a si mesmo, as próprias paixões e a sensualidade não significa de maneira nenhuma tornar-se alguém insensível ou indiferente; a temperança de que falamos é virtude cristã, que aprendemos com o ensino e o exemplo de Jesus, e não com a chamada moral "estóica". (João Paulo II, Encontro com os jovens na basílica vaticana, 22 de novembro de 1978)

Prudência
O homem prudente, que se aplica a tudo o que é verdadeiramente bom, esforça-se por medir todas as coisas, todas as situações e todo o seu operar, pelo medida do bem moral. Prudente não é pois aquele que — como muitas vezes se entende — sabe arranjar-se na vida e sabe tirar dela o maior proveito; mas aquele que sabe construir toda a sua existência segundo a voz da reta consciência e segundo as exigências da moral justa. […]
Sou prudente? Vivo em consequência com o que sou, responsavelmente? Aquilo que realizo serve para o verdadeiro bem? Serve para a salvação que Cristo e a Igreja querem de nós? Se hoje me escuta um estudante ou uma estudante, um filho ou uma filha, olhe a esta luz para as próprias obrigações de escola, as leituras, os interesses, os passatempos e o ambiente dos amigos e das amigas. Se me escuta um pai ou uma mãe de família, pense um pouco nos seus deveres conjugais e de progenitura. Se me escuta um ministro ou homem de Estado, olhe para a extensão dos seus deveres e responsabilidades. Procura ele o bem verdadeiro da sociedade, da nação e da humanidade? Ou só interesses particulares e parciais? Se me escuta um jornalista, um publicista, um homem que exerce influxo na opinião pública, reflita sobre o valor e sobre o fim desta sua influência. (Audiência geral do papa João Paulo II, 25 de Outubro de 1978)

Justiça
Todos, em certo modo, sabemos que, na transitoriedade deste mundo, não é possível realizar a medida plena da justiça. Talvez que as palavras tantas vezes ouvidas, "Não há justiça neste mundo", sejam fruto dum simplismo demasiado fácil. Há nelas, porém, ao mesmo tempo um princípio de profunda verdade. A justiça é, em certo modo, maior que o homem, que as dimensões da sua vida terrena, que as possibilidades de estabelecer nesta vida relações plenamente justas entre os homens, os ambientes, as sociedades e grupos sociais, as nações, e assim por diante. Cada homem vive e morre com certa sensação de a justiça não estar completa, porque o mundo não é capaz de satisfazer completamente um ser criado à imagem de Deus, de o satisfazer nem na profundidade da sua pessoa nem nos vários aspetos da sua vida humana. E assim, por meio desta fome de justiça, o homem abre-se a Deus que "é a justiça mesma". Jesus, no Sermão da Montanha, expressou isto dum modo claro e conciso, dizendo: Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados (Mt 5,6).
Detenhamo-nos entretanto sobre os homens. Cristo deixou-nos o mandamento do amor do próximo. Neste mandamento inclui-se também tudo o que diz respeito à justiça. Não pode haver amor sem justiça. O amor "supera" a justiça, mas, ao mesmo tempo, encontra a sua verificação na justiça. Até o pai e a mãe, amando o próprio filho, devem ser justos com ele. Vacilando a justiça, também o amor corre perigo. (Audiência geral do Papa João Paulo II, 8 de novembro de 1978)

Fortaleza
Desejo prestar homenagem a todos estes corajosos desconhecidos. A todos os que têm a coragem de dizer "não" ou "sim", quando custa! Aos homens que dão testemunho singular de dignidade humana e profunda humanidade. […] A virtude da fortaleza requer sempre alguma superação da fraqueza humana e sobretudo do medo. O homem, de facto, por natu
reza teme espontaneamente o perigo, os dissabores e os sofrimentos. preciso, por isso, procurar os homens corajosos não só nos campos de batalha, mas também nas salas dum hospital ou num leito de dor. Tais homens podiam-se encontrar muitas vezes nos campos de concentração e nos locais de deportação. Eram autênticos heróis.
O medo tira às vezes a coragem cívica aos homens que vivem num clima de ameaça, de opres-são ou de perseguição. Especial valor têm então os homens que são capazes de transpor a chamada barreira do medo, com o fim de testemunhar a verdade e a justiça. Para chegar a tal fortaleza, o homem deve em certo modo "ultrapassar" os próprios limites e "superar-se" a si mes-mo, correndo "o risco" de uma situação desconhecida, o risco de ser mal visto, o risco de expor-se a consequências desagradáveis, injúrias, degradações, perdas materiais, talvez a prisão ou as perseguições. Para conseguir tal fortaleza, o homem precisa de ser sustentado por grande amor pela verdade e pelo bem, a que se dedica. A virtude da fortaleza anda a par com a capacidade de cada um a sacrificar-se. Esta virtude tinha já para os antigos um perfil bem definido. Com Cristo adquiriu um perfil evangélico, cristão. O Evangelho dirige-se aos homens fracos, pobres, mansos e humildes, mensageiros de paz, misericordiosos e, ao mesmo tempo, contém em si constante apelo à fortaleza. Repete muitas vezes: Não tenhais medo (Mt 14,27). Ensina ao homem que, por uma justa causa, pela verdade, pela justiça, é preciso saber dar a vida (Jo 15,13). (Audiência geral do Papa João Paulo II, 15 de novembro de 1978)