CO-ADOPÇÃO E
ADOPÇÃO DE CRIANÇAS POR CASAIS DO MESMO SEXO
A respeito da recente decisão parlamentar de se
submeter a referendo a co-adopção e adopção de crianças por casais do mesmo
sexo, é oportuno recordar a posição da Igreja sobre o tema.
Na verdade, se a Igreja, por um lado, condena os
atos de homossexualidade apontando-os como intrinsecamente desordenados, já que
«são contrários à lei natural, fecham o ato sexual ao dom da vida, não procedem
de uma complementaridade afetiva e sexual verdadeira, não podem, em caso algum,
ser aprovados» (Catecismo da Igreja Católica, n. 2357); por outro lado, não
confunde os atos com a pessoa, promovendo que as pessoas que apresentem
tendências homossexuais devam «ser acolhidos com respeito, compaixão e
delicadeza. Evitar-se-á, em relação a eles, qualquer sinal de discriminação
injusta» (Catecismo da Igreja Católica, n. 2358).
Neste sentido, a Congregação para a Doutrina da Fé defendeu
no documento “Considerações sobre os projetos de reconhecimento legal das
uniões entre pessoas homossexuais” (2003) que o respeito para com as pessoas
homossexuais deva ser salvaguardado, mas que ele «não pode levar, de modo
nenhum, à aprovação do comportamento homossexual ou ao reconhecimento legal das
uniões homossexuais», pois «o bem comum exige que as leis reconheçam, favoreçam
e protejam a união matrimonial como base da família, célula primária da
sociedade», e «reconhecer legalmente as uniões homossexuais ou equipará-las ao
matrimónio significaria não só aprovar um comportamento errado, com a
consequência de convertê-lo num modelo para a sociedade atual, mas também
ofuscar valores fundamentais que fazem parte do património comum da humanidade»
(n. 11).
Consequentemente, depreendemos que a Igreja rejeite
que o vínculo estabelecido entre pessoas homossexuais possa ser visto como o
espaço educativo desejável para uma criança por si co-adoptada ou adoptada. Com
efeito, o mesmo documento da Congregação para a Doutrina da Fé, acima citado, diz
mesmo que «como a experiência confirma, a falta da bipolaridade sexual cria
obstáculos ao desenvolvimento normal das crianças eventualmente inseridas no
interior dessas uniões. Falta-lhes, de facto, a experiência da maternidade ou
paternidade. Inserir crianças nas uniões homossexuais através da adopção
significa, na realidade, praticar a violência sobre essas crianças, no sentido
que se aproveita do seu estado de fraqueza para introduzi-las em ambientes que
não favorecem o seu pleno desenvolvimento humano» (n. 7).
Esta perspetiva era corroborada por recentes
declarações de Manuel Braga da Cruz, ex-reitor da Universidade Católica, à
Rádio Renascença (a 19-01-2014), onde defendia que «admitir que uma adopção
possa ser feita por um agregado que não integre esta diversidade de papéis no
interior da família é particularmente grave não só porque debilita a criança
que é educada, como debilita a própria instituição familiar e, por aí, também a
família. Portanto esta questão da co-adopção está muito longe de ser apenas uma
questão de saber quem pode adoptar uma criança, claro que é isso também, mas
remete para questões muito mais vastas e de maior importância. Nos últimos anos
temos vindo a assistir a uma deliberada orientação política que visa debilitar
a sociedade, em nome do reforço da liberdade individual. Isso enfraquece a
cidadania, enfraquece a sociedade civil e torna a sociedade facilmente
manipulável por objetivos políticos (…). A Igreja deve contribuir para este
debate, não apenas os bispos mas também os leigos, para que se compreenda todo
o alcance do que está em causa e aquilo que deve ser ponderado antes de uma
decisão neste domínio».
Sobre este tema pode ainda considerar-se o seguinte artigo de opinião de José Maria Duque, ou este do P.e Gonçalo Portocarrero de Almada .
Sobre este tema pode ainda considerar-se o seguinte artigo de opinião de José Maria Duque, ou este do P.e Gonçalo Portocarrero de Almada .
