ESTES CASAIS SÃO CATÓLICOS
E QUEREM DEFENDER O
CASAMENTO
Foi uma
aventura juntá-los, praticamente de um dia para o outro. Depois de, na semana
passada, o i ter publicado um artigo sobre o amor, o sexo e o casamento
católicos – a propósito do sínodo da família que terminou ontem em Roma –, dez
casais juntaram-se para escrever uma carta que é uma espécie de manifesto pelo
matrimónio. São jovens, alguns recém-casados e de áreas profissionais
distintas: entre eles há advogados, gestores e até um oficial das Forças
Armadas. Em comum têm o facto de serem católicos e defenderem, com unhas e
dentes, a doutrina da Igreja no que diz respeito ao casamento e à sexualidade.
Garantem que o matrimónio implica “uma experiência de entrega total”. O i quis
conhecê-los e, numa corrida contra o tempo, dar rostos ao manifesto.
Resposta de
jovens casais católicos ao jornal i
No artigo publicado no passado dia 14 de Outubro, o
jornal i quis saber como vivem e pensam os jovens casais católicos de hoje. Para
ajudar a cumprir o propósito do artigo, vimos por este meio apresentar-nos:
somos jovens casais católicos de hoje, unidos pelo Sacramento do Matrimónio,
fiéis à doutrina da Igreja. Passamos a explicar:
1) Somos casais, homem e mulher, baptizados, que aderiram
a Cristo por Amor, em total liberdade. E esta adesão é completa porque, para
nós, Amar implica uma experiência de entrega total, sem reservas ou limites:
por isso frequentamos regularmente os Sacramentos e participamos activamente
das comunidades e Movimentos a que pertencemos.
2) Entendendo o Amor como a nossa vocação, ou seja,
aquilo para que fomos chamados, e tendo como exemplo máximo Cristo que morreu
por nós na Cruz, para nós o Sacramento do Matrimónio não pode significar uma
entrega menor que esta. Por isso, com Deus, tornamo--nos um só, uma só carne,
até que a morte nos separe.
3) Sabemos que a sexualidade é parte integrante do
nosso corpo e que, tal como ele, é boa e foi criada por Deus. Sabemos que não
temos um corpo, mas que somos um corpo, e o sexo para nós só faz sentido se
corresponder a uma entrega total por amor: livre, aberto a todas as suas
consequências, sem reservas, uma experiência de comunhão total entre 2 pessoas.
Menos do que isto não queremos.Trocado por miúdos, dispensamos as pílulas, os
preservativos e tudo o que poderia distorcer esta união livre. Não queremos ser
objectos sexuais, queremos amar e ser amados. E não queremos excluir Deus desta
parte da nossa vida. Para nós, o sexo tem tanto de humano como de divino. Os casais
católicos de hoje são sem dúvida muito exigentes neste assunto.
4) Sim, estamos abertos à procriação, porque
consideramos que a Vida é um dom. Os filhos são os frutos do nosso amor e não
faria sentido negá-los, adiá-los ou planeá-los com a leveza de quem projecta
umas férias ou a compra de uma casa. Viver assim, em generosidade, traz--nos
uma alegria imensa. Mas sabemos que as circunstâncias da vida nem sempre são
fáceis. E por essa razão procuramos conhecer o nosso corpo, estudar em casal a
fertilidade da mulher, e os métodos naturais que melhor se adaptarem a nós
nessas alturas difíceis. Mas a generosidade mantém-se. Os bebés, para nós,
nunca são persona non grata.
5) Por último, era bom que fosse, mas nada disto
veio da nossa cabeça. Veio do Novo Testamento, das encíclicas dos Papas
(Humanae Vitae, Familiaris Consortio, ...), das catequeses do Papa João Paulo
II que deram origem à Teologia do Corpo, e do próprio Catecismo, que estabelece
inequivocamente, apesar de V.Exas. não terem publicado no fim do artigo, que:
“a sexualidade é fonte de alegria e de prazer. (...) foi o próprio Criador quem
estabeleceu que, nesta função, os esposos experimentassem prazer e satisfação
do corpo e do espírito.”
Serve esta carta aberta para dar testemunho real de
casais jovens que vivem de acordo com aquilo que a Igreja lhes pede. Não faz
sentido querer fazer uma entrevista a um maratonista e para tal inquirir uma
pessoa que faz jogging aos sábados de manhã.
Queremos dizer que é possível e que desejamos que
todos os casais sejam tão felizes como nós somos, apesar das dificuldades que
possam surgir.
Pelos inúmeros casais católicos de hoje,
Catarina e Miguel Nicolau Campos, 25 e 31 anos
Sofia e José Maria Duque, 27 e 29 anos
Margarida e Bernardo Oom Sacadura, 24 e 26 anos
Maria Ana e Luís Mascarenhas Gaivão, 26 e 33 anos
Maria do Carmo e Simão Pedro Silveira Botelho, 25 e
26 anos
Joana e Tiago Rodrigues, 29 e 31 anos
Mariana e Stanislaw Biela, 32 anos
Maria e Nuno Rodrigues, 30 anos
Carolina e Rafael Souza-Falcão, 24 e 30 anos
Catarina e Hugo Lopes, 25 e 31 anos
(Jornal i, 20.10.2014)
