TESTEMUNHO
DE FDS HOSPITALEIRO
A Casa de Saúde Rainha santa
Isabel, em Condeixa, onde estivemos durante o fim de semana de 19 a 21 de
Dezembro, é um estabelecimento de saúde gerido pelo Instituto das
Irmãs-Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus, onde prestam cuidados
diferenciados e humanizados em saúde, sobre tudo em saúde mental e
psiquiátrica.
Estes
dias foram, de facto, uma grande experiência, apesar de ter sido apenas três
dias foi uma grande oportunidade para nós, jovens, reformularmos uma ideia mais
acertada sobre estas pessoas e este tipo de doenças.
Na
verdade, quando cheguei senti um misto de sentimentos talvez ansiedade ou
receio, por um lado estava ansiosa para estar com estas pessoas, mas por outro
receosa de fazer alguma coisa errada. Depois de nos acomodarmos, a Irmã que
iria estar responsável por nós explicou-nos o que iriamos fazer durante o tempo
desta atividade, confesso que, isto não mudou furacão de emoções que tinha
dentro de mim e senti-me, ainda mais, ansiosa pelo dia seguinte. Tivemos vários
momentos de reflexão, onde nos encontrava-mos com Jesus e connosco próprios,
lembro-me que num desses momentos, penso que foi na primeira noite, a Irmã
Lígia sugeriu que cada um de nós partilha-se com Cristo numa palavra que nos,
iria ser útil para estes dias, a primeira palavra que me veio logo á cabeça foi
“coragem” carecia dela, não só para encarar esta realidade desconhecida, mas
também deixar para trás todas as minhas inseguranças e me entregar totalmente e
sem medos a estas pessoas.
O
primeiro contacto foi na missa de sábado, estar lado a lado com este desafio,
com estas pessoas que são tão iguais a mim, fez-me pensar “E se fosse eu?” e se
fosse eu que estava a maior parte do ano fechada naquela casa, e se fosse eu
que por mais que quisesse não conseguia controlar algumas das minhas atitudes,
e se fosse eu que tivesse de estar longe do resto da minha família, dos meus
amigos e da minha casa talvez para sempre ou por um tempo indeterminado, “E se
fosse eu?”. Nesta primeira parte de convivência houve uma situação que me tocou
bastante, estava mesmo no banco da frente uma rapariga que, parecia ser ainda
jovem, e por ser o dia da Festa de Natal naquela casa de saúde os familiares
vinham estar com os doentes. Quando ela viu a mãe á entrada da igreja implorou
a uma das Irmãs Hospitaleiras para que se pudesse levantar e ficar a missa junto dela.
Posteriormente
à missa e depois da Irmã e uma enfermeira, com quem aprendi imenso sobre
algumas destas doenças, nos darem a conhecer aquele enorme estabelecimento,
fomos à Festa de Natal onde me diverti muito e recebi inúmeros sorrisos onde
era notório em cada um deles o carinho, o amor e a ingenuidade daquelas
pessoas.
No
entanto, a pessoa com quem eu fiquei com um carinho muito especial, foi uma
senhora de 83 anos que, estava na unidade onde o meu grupo fez voluntariado,
doentes com mais de 65 anos, eu e esta idosa falamos sobre as mais variadas
coisas, mas fiquei bastante impressionada quando lhe perguntei se ia passar o
Natal com a família e ela respondeu-me que não, a família apenas viria
visita-la um bocadinho no Dia de Natal. O que foi bastante chocante para mim
pois, na minha opinião a Época Natalícia é dedicada à família, é quando os
laços se fortificam e aquela senhora vai passar o Natal, naquela casa, nem uma
refeição em família irá ter.
Este
fim de semana fez-me refletir sobre alguns aspetos que são tão básicos, mas que
a maioria das pessoas não valoriza, como um sorriso ou um gesto de carinho, que
por vezes são estes simples gestos que precisamos e nem
sequer damos conta.
Inês Figueiredo
