MENSAGEM DA COMISSÃO EPISCOPAL DAS VOCAÇÕES E MINISTÉRIOS 
POR OCASIÃO DA SEMANA DO CONSAGRADO 
27 DE JANEIRO A 3 DE FEVEREIRO DE 2013

PEREGRINOS NA FÉ, APÓSTOLOS NA EVANGELIZAÇÃO DO MUNDO


1. CONSAGRADO, PEREGRINO DA FÉ

O batismo, assumido de forma livre e responsável, como participação no mistério pascal de Jesus Cristo, incorporação na sua Igreja e sacramento da comunhão com Deus, Santíssima Trindade, constitui o início do longo peregrinar da fé do cristão. Trata-se de um “caminho que dura a vida inteira... tem início com o batismo... e está concluído com a passagem através da morte para a vida eterna” (Bento XVI, A Porta da Fé, 1).
Entre todos os cristãos, os Consagrados assumem explicitamente a totalidade da vida como uma peregrinação na fé, como um sinal da transformação operada pelo batismo e como um testemunho da graça da comunhão com Deus.
Neste Ano da Fé, todo o consagrado tem oportunidade de refazer a história da sua vida humana, da sua fé e da sua vocação. Encontrará a linha contínua do amor de Deus, manifestado de muitas formas, recordará os momentos fortes do caminho realizado na procura das respostas a dar-Lhe, perceberá as dúvidas, fraquezas e, porventura, alguns retrocessos e infidelidades. Acima de tudo, verá que a fé é uma contínua resposta a um dom recebido, que implica todas as dimensões da vida e que há-de progredir sempre até que ele viva totalmente da fé, tal como diz o apóstolo: “Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim. E a vida que agora tenho na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus que me amou e a si mesmo se entregou por mim” (Gl 2, 20).
Apesar da sua condição de batizados e consagrados na Igreja, os consagrados não podem considerar a fé como um “pressuposto óbvio da sua vida diária” (Bento XVI, A Porta da Fé, 2). Correm, portanto, o risco comum a todos os cristãos de parar em qualquer fase da sua peregrinação, de se descentrarem de Deus em favor das tarefas quotidianas, de investir tanto nas obras humanas que descuidem a obra de Deus, que consiste em “crer n’Aquele que Ele enviou” (Jo 6, 29).

2. APÓSTOLOS DA FORÇA E DA BELEZA DA FÉ

Com muita alegria, reconhecemos que os Consagrados são, entre nós, autênticos apóstolos da força e da beleza da fé, ou seja, verdadeiros catecismos abertos aos fiéis, pois neles podem “descobrir novamente os conteúdos da fé professada, celebrada, vivida e rezada” (Bento XVI, A Porta da Fé, 9).
Hoje, como em todos os tempos, a força e a beleza da fé só podem encontrar-se quando ela é vivida na radicalidade evangélica. Os Consagrados são, na Igreja, aqueles em quem se espera encontrar de forma mais visível esse testemunho, em virtude dos conselhos evangélicos, a via da radicalidade que amorosamente assumem como dom e compromisso.
Precisamos urgentemente de homens e mulheres totalmente imbuídos de Cristo, que mostrem a outra face, isto é, que se distanciem dos critérios terrenos e se deixem conduzir pelos critérios do alto.
A força da fé só pode revelar-se por meio de pessoas reais que a experimentem e testemunhem como capaz de transformar as suas vidas. Do mesmo modo, a beleza da fé somente se revela por meio das vidas belas de homens e mulheres cheios de Deus, a origem e a fonte de toda a beleza.
Aos consagrados pedimos que se adentrem com profundidade no mistério da fé, única razão de ser da sua vocação e da sua vida, no respeito pela peculiaridade dos carismas de que são herdeiros. Pela sua autenticidade e pela radicalidade da sua entrega na pobreza, na castidade e na obediência, tornar-se-ão os apóstolos da força e da beleza da fé.

3. IMPELIDOS PELO AMOR DE CRISTO A EVANGELIZAR

“É o amor de Cristo que enche os nossos corações e nos impele a evangelizar” (Bento XVI, A Porta da Fé, 7). Válido para todos os cristãos, este princípio encontra maior evidência nos consagrados, cuja vocação específica é precisamente a evangelização do mundo por meio da realização do seu carisma fundador. Todos evangelizam já por meio do seu estado e do seu estilo de vida marcada pelo conhecimento do amor de Cristo, assumido pessoalmente e partilhado comunitariamente; alguns, porém, evangelizam também pela dedicação ao trabalho direto de anúncio da Boa Nova, na pregação, na catequese, no ensino, na ação social, na prática da caridade cristã, na missão ad gentes.
Mais do que as palavras, o veículo de transmissão da fé é o testemunho, de tal modo que o contacto com os verdadeiros crentes é o melhor caminho para o encontro pessoal com Cristo. Os Consagrados encontram-se entre os que mais capacidade têm para realizar esta missão de levar os homens a Cristo, pelo que a Igreja muito deles tem a esperar quando se trata de fazer a evangelização do mundo.
Portugal deve muito daquilo que é e, portanto, da sua identidade, à incansável ação dos Consagrados que, impregnaram de Evangelho a sua história. A difusão da fé cristã, o progresso nos valores humanos fundamentais, o crescimento espiritual e o desenvolvimento cultural, são, em grande parte ação destes homens e mulheres entregues a Cristo por amor dos irmãos.
Nesta Semana do Consagrado 2013, a Igreja portuguesa renova os sentimentos de gratidão pelo trabalho realizado em favor da fé e da evangelização. Invocamos sobre todos os Consagrados a força do Espírito Santo, para que faça deles cristãos alegres por crerem e cheios do entusiasmo na comunicação da fé (Bento XVI, A Porta da Fé, 7).
Confiamos todos os Institutos e todos os seus membros a Nossa Senhora, pobre, casta e em tudo obediente à vontade do Pai, ícone da Igreja que caminha na fé do Filho de Deus.

Coimbra, 08 de dezembro de 2012

Virgílio do Nascimento Antunes
Presidente da Comissão Episcopal das Vocações e Ministérios
O EVANGELHO NOS TEMPOS DO FACEBOOK


Facebook, a rede social mais popular do mundo, está equipada com vários instrumentos para a manutenção e o enriquecimento de um status amigável recíproco, como se sabe. Porém, geralmente não nos perguntamos porque as dinâmicas de relacionamento se baseiam exclusivamente em feedbackspositivos (polegares levantados, partilhas) e, ao contrário, não prevêem opções de desaprovação instantânea. Será possível que os criadores da network se tenham deixado inspirar pelo mais tradicional, mas na realidade actualíssimo, princípio que consiste em "nunca faças aos outros aquilo que não gostarias que te fizessem a ti"?
É possível que as nossas "amizades" sejam consideradas tão frágeis a ponto de sucumbir perante a mera interceptação de um feedback negativo? Porque, por exemplo, recebemos a "notificação" somente quando alguém recebe a nossa ou de outro alguém, mas não quando uma amizade é inesperadamente interrompida?
O sistema concebido desta forma tem realmente as suas boas razões para existir. Razões que se inspiram no consentimento mútuo, a fim de incutir optimismo no uso do instrumento e, por conseguinte, de exercer uma influência cada vez maior e mais positiva sobre todos nós; em síntese, para aumentar o próprio poder económico. Com efeito, o que aconteceria à rede social se de repente todos os participantes começassem a ser notificados publicamente sobre a perda de amigos? Perda, obviamente, decretada de forma unilateral. Com efeito, para estabelecer amizade é necessário ser em dois, para se deixar, ao contrário, a vontade do indivíduo é suficiente. É provável, considerado o uso compulsivo desta plataforma, pois de outro modo surgiria uma confusão colectiva, alimentada por invejas recíprocas, conflitos insolúveis, pequenas rivalidades ocultadas prontas a explodir com uma série de vinganças em cadeia: reacções de ódio manifesto, pedidos de esclarecimento recíproco da parte de amigos em comum, desforras de inimizade em relação a quem subtraiu a amizade ao amigo em comum, e assim por diante.
Felizmente trata-se de violências simbólicas, todavia com consequências reais possivelmente evidentes a curto prazo, considerando que todos, mais cedo ou mais tarde, nos destacamos do virtual e nos encontramos no real. Mas talvez, num incontrolável turbilhão vicioso de desprezos recíprocos - sintetizados por minúsculos (mas potencialmente deveras essenciais) thumbs down(sinal de desaprovação) - se poderia até chegar a abandonar em massa os próprios altares virtuais. Não como forma de protesta em relação às opções de desafeição recíproca acima só imaginadas mas, talvez, precisamente por causa da insustentabilidade psicológica do meio de comunicação.
De facto, ele tornar-se-ia realmente o lugar onde desafogar colectivamente os rancores e ressentimentos que todas as amizades, mesmo se a longo prazo, e talvez com mais razão se a longo prazo, inevitavelmente acarretam.
Resumindo, os programadores do Facebook - um sistema que interconecta centenas de milhões de pessoas no mundo inteiro - bem instruídos pelos administradores e pensadores que criaram e "educaram" este sistema, consideraram oportuno inspirar o coração da sua máquina "amistosa" na mais antiga receita para uma economia sadia: efundir quanto mais possível o optimismo.
Será uma casualidade, mas tudo isto corresponde também ao mais antigo princípio de amor ao próximo que a humanidade conheceu. "O que quiserdes que vos façam os homens, fazei-o também vós a eles, porque isto é a Lei e os Profetas" disse Jesus no sermão da montanha (Mt7, 12). E quem está por detrás do Facebook, para tornar ainda mais eficaz o ensinamento evangélico, pensou bem em não nos fornecer nem sequer instrumentos para se deixar tentar. Quer dizer: longa amizade a todos!

Cristian Martini Grimaldi  (L'Osservatore Romano - 21 de janeiro de 2012)

As Missões Universitárias são um projeto desenvolvido para toda a juventude universitária de Portugal. A Missão consiste em levar um grupo de aproximadamente 50 pessoas de cada faculdade, durante uma semana, até uma localidade diferente onde se presta todo o tipo de apoio social e voluntariado que seja pedido. Existem duas grandes vertentes nas Missões:
- a vertente social, que inclui a missão pelas instituições: lares, hospitais, ATL’s, Santa Casa da Misericórdia, paróquia e em escolas; é também neste sentido que se tenta dinamizar a localidade, envolvendo todos, com o intuito de mostrar a força e a disponibilidade da juventude universitária;
- a vertente católica, reconhece os valores das Missões. Este é um projeto católico e por isso muitas das atividades são relacionadas com a religião católica. "
Neste âmbito, estarão pelo segundo ano em Ferreira do Zêzere, 52  jovens universitários, da Universidade Nova de Lisboa Faculdade de Economia, entre 27 de janeiro e 3 de fevereiro de 2013.
Propõem, durante uma semana:
- Dinamizar os intervalos da manhã (falando com os alunos, promovendo atividades)
- Colaborar com o professor de EMRC em algumas das aulas;
- Colaborar noutras aulas ou atividades da Escola, em que possam ser uteis, partilhando conhecimentos e experiências, dinamizando grupos, construindo, pintando…
- Desenvolver trabalho voluntário, ajudando em tudo o que puderem, seja nas escolas, lares, instituições, associações ou paróquia;
- Apresentar uma peça de Teatro à comunidade (representada pelos missionários);
- Fazer no final da semana uma vigília de oração.