EXPECTATIVAS, PRECONCEITOS, E JUÍZOS


Talvez dar à luz seja um dos momentos em que mais expectativas (positivas ou negativas) se degladeiem numa mãe: por um lado, o desejo de se saber o que é (menino ou menina) e como é (o seu olhar, a sua voz, o seu temperamento); por outro, o receio de que o bébé nasça prematuro, com problemas de saúde, de não reconhecer os sinais de parto; ou, ao invés, a confiança no atendimento dos profissionais de saúde, a certeza de um marido carinhoso, a ânsia de abraçar o bébé. Na verdade, dar à luz é diferente do parir de um qualquer animal. No dar à luz joga-se a liberdade, a determinação, e a responsabilidade. Será que os bébés, ainda antes de nascerem, também têm expectativas em relação à mãe?

Regra geral, as expectativas costumam ser acompanhadas por determinados preconceitos: o que ouvimos dizer; o que pensámos; o que parece termos visto. Aqui falta-nos tantas vezes, como alguém dizia, uma “visão de helicóptero”, isto é, uma visão que nos permita observar o que se passa de todos os ângulos, de forma a podermos avaliar globalmente a situação; ou a capacidade de nos colocarmos no lugar do outro, tentando entender os seus critérios e as suas motivações. Falta-nos sobretudo a enorme capacidade de não rotularmos à primeira vista, ou ainda antes de chegarmos a ver.

Bem sabemos como é fácil conceber antes de ver, como é fácil um preconceito se consubstanciar arriscadamente num juízo. Com efeito, atitudes como estas traduzem-se habitualmente em prejuízos para alguém, nem que seja para nós próprios. Até pode acontecer que as nossas melhores expectativas saiam mesmo frustradas, que os nossos preconceitos se verifiquem, ou que os nossos juízos  se corroborem, mas não será melhor deixar a criança primeiro nascer?

A Quaresma, como tempo propício para renascer, pode ser ocasião para deixar nascer o que em nós se mitigou pelo medo, mas percebemos como verdadeiro; para deixar nascer o que nos outros se ofuscou pelo (nosso) preconceito, e carece de vir à luz; para deixar nascer o que Deus semeou, com o Seu sangue derramado da cruz. Assim, decerto teremos uma Santa Páscoa!

P.e João Pedro Silva

D. VIRGÍLIO ANTUNES 
PRESIDE A VIA-SACRA DE DORNES


"Uma vela a Jesus" a tradicional Via-sacra de 4 km no percurso dos cruzeiros de Dornes (Ferreira do Zêzere) em direção ao Santuário de Nossa Senhora do Pranto, vai este ano realizar-se no dia 24 de março, Domingo de Ramos, às 18h00 nos cruzeiros de Dornes.
Nesta caminhada de fé estão envolvidas todas as freguesias e paróquias do concelho de Ferreira do Zêzere.
Todos os anos são várias centenas de peregrinos que em Domingo de Ramos participam nesta Via-sacra, graças às excelentes condições físicas e naturais do percurso até ao Santuário, pelos momentos de silêncio e de oração proporcionados, pelo sacrifício da caminhada, pela devoção à Nossa Senhora do Pranto...
A organização é da Associação Recreativa Filarmónica Frazoeirense e do Santuário de Nossa Senhora do Pranto de Dornes.

http://regiaodozezere.blogspot.pt/
"FÉ COMPROMETIDA: CIDADANIA ATIVA"


A Fé e a relação de compromisso com os outros e com o mundo. Esta é a proposta de reflexão que este ano apresentamos para a Semana Nacional Cáritas. Com o slogn "Fé comprometida, cidadania ativa" queremos que todos se sintam responsáveis e parte deste "dar a mão" a quem está ao nosso lado. Esta semana arranca já no próximo dia 24 de fevereiro e prolonga-se até ao dia 3 de março, Dia Nacional Cáritas. A par de um conjunto de ações locais, vocacionadas para espaços de reflexão e debate com os cidadãos, esta iniciativa é marcada a nível nacional pela realização do Peditório Público que acontece em diversas cidades nacionais de 28 de fevereiro a 3 de março.
Este já tradicional Peditório reverte a favor dos diferentes projetos sociais desenvolvidos em cada Cáritas Diocesanas. Para a sua realização são mobilizados milhares de voluntários que, durante quatro dias, dão o seu tempo e a sua cara por este trabalho e pela causa “Cáritas”, dando o exemplo a todos os cidadãos e chamando a atenção para os temas da cooperação e cidadania ativa.
“Num período extremo como o que vivemos atualmente, com o aumento exponencial dos casos de pobreza e de exclusão social e suas consequentes problemáticas, a temática chave que, este ano, servirá de suporte à nossa reflexão prende-se com os valores de Fé e Solidariedade, temas que despertam também para a importante discussão sobre o papel e responsabilidade de cada indivíduo na própria Sociedade perante esta situação de alerta máximo e que visam o empenho de todos na construção de uma sociedade mais equitativa”, refere Eugénio da Fonseca, presidente da Cáritas Portuguesa.
D. Jorge Ortiga, presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social, fala na sua mensagem para esta semana aponta a Semana Cáritas como uma oportunidade “para favorecer uma maior consciencialização sobre o lugar que a caridade deve ocupar nas nossas vidas e reforçar a coragem duma indispensável presença interventiva na sociedade.” “A fé incute-nos o dever de oferecer e propor aos homens e mulheres deste século XXI uma nova gramática do humano, onde a caridade seja estilo coerente e feliz de vida” sublinha D. Jorge Ortiga  reforçando a importância da relação “entre as pessoas e o funcionamento das estruturas da sociedade” no sentido de serem “expressões mais consentâneas de um mundo onde vale a pena viver.”
D. Jorge Ortiga recordando ainda as palavras de Bento XVI, na sua mensagem para o Dia Mundial da Paz onde, a propósito da crise financeira que se vive em toda a Europa, deixou um desafio a todos: “para sair da crise financeira e económica actual, que provoca um aumento das desigualdades, são necessárias pessoas, grupos, instituições que promovam a vida, favorecendo a criatividade humana para fazer da própria crise uma ocasião de discernimento e de um novo modelo económico.”
Segundo registos internos da Cáritas, em 2012, mais de 56 mil famílias solicitaram apoio à instituição e, a nível individual, foram declarados mais de 158 mil pedidos de ajuda em território nacional. Ao longo do ano 2012, a Cáritas Portuguesa registou um aumento das situações de emergência social na ordem dos 60% em relação ao ano anterior.
A Cáritas mantém o seu compromisso com a população, nomeadamente a mais carenciada, e irá dar continuidade ao trabalho que tem vindo a desenvolver, em colaboração com as várias paróquias, no sentido de alimentar a esperança dos portugueses e proporcionar-lhes condições de dignidade que permitam a todos acreditarem que serão capazes de ultrapassar estes tempos difíceis.

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