COMUNICADO DO BISPO DE COIMBRA
SOBRE A ELEIÇÃO DO PAPA FRANCISCO


Caríssimos Diocesanos de Coimbra

Recebida a feliz notícia da eleição do novo Papa, rejubilamos pelo dom de Deus à sua Igreja, que é o Papa Francisco.
Damos graças a Deus pela sua pessoa e pelo dom do Espírito Santo que recebeu para conduzir a Igreja de Cristo, à qual temos a graça de pertencer e que muito amamos.
Neste momento de esperança, manifestamos os mais profundos sentimentos de comunhão com o Sucessor de Pedro e acolhemo-lo como o Pastor da Igreja Universal, assegurando a nossa estima, devoção e obediência filial.
Pedimos a Deus que o ampare e anime com a força do Espírito Santo, para que, na docilidade e fidelidade à sua inspiração, conduza a Igreja pelos caminhos da verdade e da santidade.
Convido-vos, caríssimos Diocesanos, sacerdotes, consagrados e leigos, a agradecer a Deus, juntamente comigo, o dom do Papa Francisco, na Missa que celebrarei na Sé Nova, no dia 19 de março, terça feira, às 19:00.

Coimbra, 13 de março de 2013

Virgílio Antunes, bispo de Coimbra
JORGE BERGOGLIO, 
DE TÉCNICO QUÍMICO A PAPA



O cardeal argentino Jorge Mario Bergoglio, de 76 anos, era até hoje arcebispo de Buenos Aires e tornou-se no primeiro Papa do continente americano, escolhendo também o inédito nome de Francisco.
O religioso é também o primeiro jesuíta a ser eleito como bispo de Roma, sucedendo a Bento XVI após um Conclave de dois dias e cinco escrutínios.
Jorge Mario Bergoglio nasceu na capital da Argentina a 17 de dezembro de 1936, filho de emigrantes italianos, e trabalhou como técnico químico antes de se decidir pelo sacerdócio, no seio da Companhia de Jesus (jesuítas), licenciando-se em filosofia antes do curso teológico.
Ordenado padre a 13 de dezembro de 1969, foi responsável pela formação dos novos jesuítas e depois provincial dos religiosos na Argentina (1973-1979).
João Paulo II nomeou-o bispo auxiliar de Buenos Aires em 1992 e foi ordenado bispo a 27 de junho desse ano, assumindo a liderança da diocese a 28 de fevereiro de 1998, após a morte do cardeal Quarracino.
O primaz da Argentina seria criado cardeal pelo Papa polaco a 21 de fevereiro de 2001, ano no qual foi relator da 10ª assembleia do Sínodo dos Bispos.
Presente na V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe, em 2007, evento inaugurado por Bento XVI, o então presidente da Conferência Episcopal Argentina realçou a presença do Espírito Santo nesse momento eclesial, que deveria inspirar em todos os batizados o apelo a constituir "uma Igreja missionária, adoradora e transformadora".
A Rádio Vaticano apresenta o novo Papa como "pastor das pessoas pobres, voz do que não têm voz, rosto dos que não têm rosto", que confessa na Catedral como um "padre normal" e não tem medo, enquanto bispo e cardeal, de se "confrontar com as instituições quando tem de de defender a dignidade humana".
"O Papa Francisco testemunha  a sua simplicidade evangélica, em todas as ocasiões e em todos os lugares", refere a emissora, segundo a qual na base da "experiência cristã" do sucessor de Bento XVI, um "homem de profunda espiritualidade" está o "espanto do encontro com Jesus".
A imprensa internacional destaca o perfil simples de um cardeal que andava de transportes públicos e cozinhava as suas refeições; o Papa Bergoglio é conhecido ainda por ter ajudado a modernizar a Igreja Católica na Argentina e pela sua influência teológica na América Latina, onde reside a maior percentagem de católicos no mundo.
O sucessor de Bento XVI, que renunciou ao pontificado, foi eleito no quinto escrutínio da reunião eleitoral iniciada esta terça-feira: o fumo branco saiu da chaminé colocada sobre a Capela Sistina a partir 19h06 locais (menos uma em Lisboa), o anúncio solene do cardeal protodiácono ocorreu às 20h12 e o novo Papa surgiu à varanda central da Basílica de São Pedro às 20h22.

(agencia ecclesia)
EDUCAR PARA O INVISÍVEL


A escola nunca devia ser inclusiva! Incluir não é integrar. Incluir é, muitas vezes, amalgamar o que nos distingue numa ideia - totalitária - de pessoas normais. Integrar é acarinhar as diferenças: só as escolas plurais são… universidades. E só quando casam aprender e brincar são… jardins-de-infância.

1. As crianças transformam-se de dentro para fora da família, e o mundo «pula e avança» de dentro da escola para fora dela. Mas só quando a família e a escola se emparelham nos mesmos objectivos, as revoluções acontecem. Infelizmente, quase nunca escola e família esperam o mesmo das crianças (e, talvez por isso, as coloquem no meio de birras rezingonas, mais ou menos sem fim). As famílias desejam que as crianças se tornem pessoas sempre melhores. A escola aspira a que tenham mais conhecimentos (e, sobretudo, que os dominem com precocidade e eficácia). Mas quando passa, simplesmente, pela periferia do coração, o conhecimento pode transformar-se no maior inimigo da sabedoria.
Dominar o conhecimento é tudo aquilo que quem não tolera o invisível mais procura. Ora, a luz (a dos olhos de quem nos põe «aberturas fáceis» no coração, como aquela que, de surpresa, nos coloca planaltos no olhar), não é um jeito de afrontar o escuro, mas a forma (amena) de não o tornar persecutório. Sendo assim, gostava muito que um dia, num mundo amigo da sabedoria a escola educasse para o invisível e desse a entender que nos transcendemos sempre um pouco mais quando quem nos ensina só deseja que aprendamos a namorar os motivos que o tenham levado a apaixonar-se por tudo o que aprendeu.

2. Aprender será, sempre, reconhecer. Reconhecer no sentido de reaprender as pequenas diferenças que nunca se tinham vislumbrado em tudo o que sabemos (tornando cada conhecimento mais simples, mais útil e mais humano). E reconhecer como sinónimo de gratidão para com aqueles que tenham percebido que a tarefa preponderante de um educador não é fornecer conhecimentos mas não deixar que se apague o nosso desejo de aprender.
Infelizmente, a escola recebe pessoas com magia e não descansa enquanto não as transforma em crianças normais. Pessoas com magia são, por exemplo, os que «andam nas nuvens», as «cabeças de vento», ou as «línguas de perguntador». Ligam família e escola, imaginação e fantasia, amor ao conhecimento com paixão pelo desconhecido. Já as crianças normais aprendem pela periferia do coração. Dominam os conhecimentos (com que fazem frente ao invisível) e privilegiam os resultados ao caminho que se tenha calcorreado até os conquistar. (É por isso – suponho eu – que os maus alunos tiram, imperativamente, boas notas e os bons aprendem com os erros).
Será a escola inclusiva para todos? Não! Como não o é para os que «andam nas nuvens», os «cabeças de vento», ou para as «línguas de perguntador». Nem para os pais. Menos, ainda, para os recreios. Aliás, a escola nunca devia ser inclusiva! Incluir não é integrar. Incluir é, muitas vezes, amalgamar o que nos distingue numa ideia – totalitária – de pessoas normais. Integrar é acarinhar as diferenças: só as escolas plurais são… universidades. E só quando casam aprender e brincar são… jardins-de-infância. Na verdade, uma escola amiga da sabedoria será, ao mesmo tempo, universidade e jardim-de-infância.

3. Sempre que, entre duas pessoas, se pressente magia nasce uma escola. Logo que não entendam o invisível fecham-se para a sabedoria. Daí que o insucesso escolar aclare a dificuldade de família e escola aprenderem, sobre o invisível, uma com a outra. Se o insucesso escolar representa o desamparo com que uma criança vê a família não se assumir como provedora da escola, o abandono escolar diz-nos quanto a escola pode ir do desamparo ao descuido. É por isso que acredito que, quando uma criança abandona a escola, já foi, inúmeras vezes, abandonada por ela. Sendo assim, sempre que uma criança a abandona, a escola não será, seguramente, amiga da sabedoria e, por isso (no formato que adopta e nas rotinas que alimenta) devia fechar.
Afinal, logo que todos os alunos puderem ter necessidades educativas especiais, sempre que a magia for amiga da sabedoria, e os professores forem, unicamente, aqueles para quem a luz não é um jeito de afrontar o escuro, todas as escolas serão universidade e jardim-de-infância. E só aí o primeiro dia de escola será, ao mesmo tempo, um regresso a casa.

Eduardo Sá, Pais&filhos