A FELICIDADE: TRÊS FORMAS
DISTINTAS FACE A ELA
Imaginemos uns excurcionistas lançados à escalada
dum cume difícil; e consideremos o grupo algumas horas depois da partida. Nesse
momento podemos imaginar a equipa dividida em três tipos de elementos.
Há os que lamentam ter deixado o albergue. A
fadiga, os perigos, parecem-lhes desproporcionados para o interesse do sucesso.
E decidem voltar para trás.
Outros não lamentam a partida. O sol brilha, a vida
é bela!...mas porquê subir mais? Não é melhor gozar da montanha, aqui onde se
está, em prado aberto ou pleno bosque? E vá de se estender na relva ou então
explorar os arredores, à espera da hora do pic-nic.
Outros finalmente, os verdadeiros alpinistas, não
despegam os olhos dos cumes que se tinham jurado atingir. E retomam a escalada.
Os cansados (ou
pessimistas), para os quais melhor é ser pouco que muito, e melhor ainda
não ser nada; os gozadores (ou de boa
vida), para os quais a sabedoria consiste em gozar ciosamente de cada
momento e de cada coisa, sem perder migalha; e os ardorosos (ou valentes), para os quais viver é uma ascensão e uma
descoberta, vale mais ser do que não ser, e é sempre possível tornar-se mais.
Três tipos de Homens que cada um de nós leva em germe dentro de si – e entre os
quais, na verdade, se divide desde sempre a Humanidade que nos rodeia.
A imagem não é minha, mas sim do padre, filósofo, e
paleontólogo, Teilhard de Chardin. Porém, bem que a podemos aplicar ao nosso
ser e estar em Igreja.
Quantas vezes nos ficamos por uma atitude sem aborrecimentos,
sem riscos, sem esforços (em que o feliz será o que menos pensar, sentir e
desejar); ou, então, por uma atitude onde o prazer se prende, não com o agir ou
o criar, mas sim com o tirar partido (em que o feliz é aquele que mais e melhor
souber saborear o instante)? O que nos falta para sermos dos "valentes", que não se ficam pelo
primeiro passo (ainda por cima arrependido), nem tão pouco pelas paisagens, mas
que encontram desde já a alegria no ato de procurar a plenitude? Para estes, a recompensa
final de Deus será sempre um acréscimo!
P.e João Pedro Silva


