Virgílio do Nascimento Antunes
Bispo de Coimbra


SOLENIDADE DO SANTÍSSIMO CORPO E SANGUE DE CRISTO
(CORPO DE DEUS)

Nota Pastoral do Bispo de Coimbra


1.      CENTRALIDADE DA EUCARISTIA
A vida cristã nascida no batismo faz de nós membros de Cristo e convida-nos a permanecer n’Ele. Quando na Última Ceia o Senhor Jesus instituiu a Eucaristia, deixou-nos o Sacramento da Caridade que nos une a Si mesmo e aos homens e mulheres nossos irmãos que, em igreja, partilham a vida que d’Ele recebem.
Nos sinais do Pão e do Vinho está realmente presente o Corpo e o Sangue do Senhor, como a fé da Igreja professa desde sempre. A celebração constitui o ponto alto desse mistério de fé e de amor, pois nela se reúne a Igreja, Povo de Deus, que vai ao encontro das fontes da salvação, Cristo morto e ressuscitado. Uma vida eucarística na oferta de si mesmo pelos irmãos é o fruto que se espera da comunidade que celebra cada domingo.
A devoção à Santíssima Eucaristia fora da Missa encontrou sempre na Tradição da Igreja e na piedade dos fiéis um lugar de eleição e foi sempre um poderoso meio de união a Cristo, de progressão no caminho da entrega da vida ao Senhor e de louvor pelo Seu infinito amor.

2.      SOLENIDADE DO CORPUS CHRISTI
Desde tempos remotos, a Igreja celebra a Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, também chamada, do Corpo de Deus. Tem uma tradição muito enraizada entre nós e constitui um dos momentos altos de manifestação da fé da Igreja, centrada em Cristo, Filho de Deus e Salvador do Mundo.
Na nossa diocese de Coimbra, as comunidades paroquiais, os arciprestados e a cidade episcopal costumam assinalar esta Solenidade com a celebração da Missa, a procissão eucarística pelas ruas e a bênção do Santíssimo Sacramento.
O facto de o Dia do Corpo de Deus não ser feriado nacional nos próximos anos não pode significar menos empenho na celebração desta solenidade nem menos devoção por parte dos cristãos. Pelo contrário, deverá ser motivo para reforçarmos a alegria e o entusiasmo como preparamos e celebramos este momento alto da nossa vivência cristã.

3.      CELEBRAÇÃO DIOCESANA
Convido as comunidades a programarem e celebrarem com renovada fé e novo ardor a Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo; convido-as a fazer a procissão eucarística nas ruas, com a participação do maior número de fiéis e de todas as forças vivas das comunidades.
Convido, de um modo particular, os cristãos da diocese de Coimbra a unirem-se a mim, na celebração diocesana, que terá lugar na Sé Nova, no dia 2 de Junho, às 16.00 e consta da missa seguida da procissão eucarística pelas ruas da cidade de Coimbra e da bênção do Santíssimo Sacramento, no final.
No Ano da Fé, esperamos a presença da multidão dos fiéis nesta manifestação de louvor ao Senhor, que connosco caminha diariamente, nos revela as Escrituras e faz arder o nosso coração, como aos discípulos de Emaús. Aguardamos a presença das confrarias e irmandades com as suas insígnias e estandartes, bem como dos grupos e movimentos e associações de fiéis, os escuteiros, as crianças e os jovens.

4.      ADORAÇÃO AO SANTÍSSIMO SACRAMENTO COM O PAPA
De acordo com o programa do Ano da Fé, o Conselho Pontifício para a Nova Evangelização informa que o Santo Padre fará uma hora de adoração ao Santíssimo Sacramento, na basílica de S. Pedro, no dia 2 de Junho, às 17.00 de Roma, em comunhão com todos os Bispos e as suas comunidades diocesanas de todo o mundo.
Todas as comunidades são, por isso, convidadas a promover uma hora de adoração em sintonia com o Santo Padre, na tarde desse dia e, se possível, à mesma hora, às 16.00 de Lisboa. Pediremos o dom da fé, da comunhão fraterna e das vocações.


Coimbra, 23 de Abril de 2013


Virgílio do Nascimento Antunes
Bispo de Coimbra


ENTRE CASAS E BARRACÕES


Pelo que é que se define ser centro ou ser periferia? Pelo lugar que se ocupa num determinado mapa (aqui corre-se o risco de nos guiarmos pela geografia, muitas vezes ego-centrada, de quem o desenhou – como os mapas-mundo antigos que tinham sempre por centro a Europa); pela oferta de serviços – culturais, religiosos, de infraestrutura ou consumo – que se possibilita, ou pela quantidade e diversidade de fluxos e atividades humanas que se concentra (aqui pode enganar-se quem resume a vida e o mundo a números); por um determinado qualitativo populacional formado por indivíduos socialmente heterogéneos (aqui podem esquecer-se muitas "cegueiras epocais" que conviveram com ideologias obtusas de gente supostamente muito qualificada); ou será pela presença de ocupações não agrícolas (aqui pode cair-se no risco de ignorar que as formas mais evoluídas da vida são as que a natureza nos dá e não as que o ser humano fabrica)?
Venho a crer que o mais importante não é de onde viemos, nem tão pouco o que temos, mas o que fizemos com o facto de onde viemos e com o facto do que tínhamos, constituindo o que somos. Assim, quem à partida julga ser centro pode estar a ser uma autêntica periferia (ai de quem o ouse denunciar), e quem muitas vezes é empurrado pela vida, circunstâncias, ou pessoas, para a periferia, pode ser, na verdade, um grande centro. O Papa Francisco já nos falou por diversas vezes disto mesmo. Para Deus, as periferias são o centro!
Como centro ou como periferia, em casa ou no barracão (forma aparentemente simples de apresentar a vida pelo novo Big Brother Vip), impõe-se deixar de lado a soberba ("estar a cima de") e assumir a virtude ("dinamismo") da humildade (verdade).

P.e João Pedro Silva