EMRC, UMA DISCIPLINA QUE AJUDA A 
VIVER COM VALORES


A Educação Moral e Religiosa Católica (EMRC) trata-se, nos estabelecimentos públicos dos ensinos básico e secundário, de uma disciplina de oferta obrigatória mas de frequência facultativa.

Compete ao encarregado de educação, no caso de o seu educando ser menor de 16 anos, exercer o direito de o mesmo frequentar a disciplina de EMRC, procedendo, para o efeito, à sua declaração de vontade no ato de matrícula no respetivo estabelecimento de ensino. Tendo o educando idade igual ou superior a 16 anos, compete ao próprio aluno exercer o direito referido no número anterior. Tanto num caso, como no outro, o direito referido é exercido anualmente no ato de matrícula.

Esta disciplina não visa apenas quem professa a fé católica, nem tão pouco se confunde com a catequese, pelo que a frequência de uma não dispensa a outra.

Na verdade, a EMRC ajuda a:
- Crescer na maturidade crítica, pessoal e social;
- Ter uma «visão cristã» sobre o mundo e sobre as experiências significativas do ser humano;
 - Refletir sobre as questões fundamentais da existência;
- Conhecer a experiência religiosa cristã e a sua mensagem;
- Conhecer-se e à sua cultura, nela encontrando a chave para o bem viver;
- Fazer opções livres, mas responsáveis;
- Descobrir a identidade pessoal;
- Interiorizar na vida valores e atitudes com sentido;
- Integrar no crescimento a procura da solução para os problemas da sociedade.

De facto, o ensino religioso escolar, a partir do que lhe é específico, apresenta a mensagem cristã, desenvolvendo as distintas dimensões do saber, ao serviço da fé. Estas são :
- A dimensão teológica e científica do saber religioso (síntese da doutrina católica)
- A dimensão transcendente da pessoa (sentido último da vida)
- A dimensão humanizadora (concepção cristã da pessoa)
- A dimensão ético-moral (princípios e valores)
- A dimensão cultural e histórica (relação fé-cultura)

Fica um vídeo motivacional promovido pela Conferência Episcopal Espanhola.




PECADO NA IGREJA

Entrevista com Jorge Bergoglio - Papa Francisco


O CATOLICISMO E A NOÇÃO DE CULPA

- Há psicólogos que dizem que a Igreja joga muito bem com a culpa, e também sacerdotes que chamam a atenção para a perda do sentido do pecado.
- Para mim o sentir-se pecador é uma das coisas mais bonitas que pode acontecer a uma pessoa, se a levar até às suas últimas consequências. Eu explico: Santo Agostinho, ao falar da redenção, ao ver o pecado de Adão e Eva e ao ver a paixão e ressurreição de Jesus, comenta: Feliz pecado que nos mereceu uma tal redenção. Cantamos isto na noite de Páscoa: «Feliz culpa, feliz pecado.» Quando uma pessoa toma consciência que é pecador e que é salvo por Jesus, confessa esta verdade a si mesmo e descobre a pérola escondida, o tesouro enterrado. Descobre como é grande a vida: que há alguém que o ama profundamente, que deu a sua vida por ele.
- Isto é, segundo o seu raciocínio, a perda do sentido do pecado dificulta o encontro com Deus?
- Há pessoas que se julgam justas, que de algum modo aceitam a catequese, a fé cristã, mas não têm experiência de ter sido salvas. Uma coisa é contarem-nos que um rapaz estava a afogar-se no rio e uma pessoa atirou-se para o salvar, outra coisa é vermos isso e outra ainda é sermos nós a afogar-nos e vir outro atirar-se para nos salvar. […] Costumo dizer que a única glória que temos, como sublinha São Paulo, é sermos pecadores.
- Afinal, acaba por ser uma vantagem para o crente… (Risos)
- Bom, não esqueçamos que o não crente também pode beneficiar com as suas falhas. Se um agnóstico ou um ateu for consciente da debilidade da sua existência e souber que agiu mal, também sente dor por isso e quer superar essa situação, engrandece-se. Portanto, essa falha serve-lhe como trampolim para o seu crescimento. O presidente da câmara de uma grande cidade europeia contava uma vez que ele todas as noites acabava o seu dia com um exame de consciência […] O que estava mal servia-lhe para ser melhor.
- Esta perspetiva, no mínimo, permite enfrentar de outra maneira o tema da «culpa» no catolicismo.
- Certamente. Por isso, para mim o pecado não é uma nódoa que tenho de limpar. O que devo fazer é pedir perdão e reconciliar-me, não ir à lavandaria do japonês ali ao virar da esquina. De qualquer modo, devo ir ao encontro de Jesus que deu a vida por mim. É uma conceção do pecado muito diferente.


CELIBATO E DIFICULDADES DO CLERO

- A Igreja irá ou não rever alguma vez o celibato?
- Para já, devo dizer que não gosto de fazer de adivinho. Mas, supondo que a Igreja decidisse rever esta norma, creio que não o faria por causa da escassez de sacerdotes. Também não penso que fosse uma norma para todos os que quisessem abraçar o sacerdócio. Se, por hipótese, alguma vez o fizesse, seria por uma questão cultural, como é o caso do Oriente, onde se ordenam homens casados. […] É essa a minha convição.
- Mas essa hipótese poderá pôr-se?
- Neste momento continuo de acordo com o que disse Bento XVI : o celibato mantém-se, e estou convencido disso. Ora bem, como é que a sua permanência repercute na quantidade de vocações? Não tenho a certeza de que a sua eliminação vá provocar um aumento das vocações ao ponto de atenuar a sua escassez. Por outro lado, ouvi dizer uma vez a um sacerdote que a eliminação do celibato lhe permitiria não estar sozinho e ter uma mulher, mas que com isso também estaria a comprar uma sogra… (Risos)


(Francesca Ambrogetti, Sergio Rubin, Papa Francisco. Conversas com Jorge Bergoglio, Paulinas, pp. 10-16)
Virgílio do Nascimento Antunes
Bispo de Coimbra


MENSAGEM DO BISPO DE COIMBRA 
NO DIA DA IGREJA DIOCESANA
SOLENIDADE DA SANTÍSSIMA TRINDADE
26 DE MAIO DE 2013


Caríssimos irmãos e irmãs

Saúdo-vos na alegria e na paz de Deus Pai, como irmão e amigo, no amor do Senhor Jesus Cristo, o nosso Bom Pastor, e na comunhão do Espírito Santo, que nos une.

Convosco e por vós dou graças e louvores à Santíssima Trindade, que nos chamou à fé e nos congregou nesta Igreja Particular, a nossa amada diocese de Coimbra. Agradeço a Deus os muitos e grandes testemunhos da “alegria de crer”, que tenho encontrado por toda a Diocese; agradeço-Lhe o trabalho de tantos cristãos que, nas suas comunidades, mostram o grande “entusiasmo de comunicar a fé”; agradeço-Lhe ainda a generosidade e a disponibilidade de todos os que servem as comunidades cristãs das mais variadas formas, sobretudo na liturgia, na catequese e na ação caritativa.

Estamos a celebrar o Dia da Igreja Diocesana no contexto dos novos Arciprestados com uma configuração, cuja necessidade já se vinha a sentir há alguns anos. A vitalidade que está a gerar-se ao nível das equipas sacerdotais, dos Conselhos Pastorais e, no futuro, das Unidades Pastorais, deverá ajudar-nos a uma maior fecundidade na celebração da fé e no testemunho cristão por parte de sacerdotes, diáconos, religiosos, consagrados e leigos. Na comunhão com Deus, Santíssima Trindade, na comunhão com a Igreja e na comunhão fraterna, construiremos comunidades de discípulos, evangelizadas e evangelizadoras. Queremos que a nossa Igreja Diocesana corresponda cada vez melhor às exigências do tempo presente e realize plenamente a missão que Deus lhe confiou: levar a todos a Boa Nova da Salvação e o conhecimento de Cristo, único Salvador.

Aproximam-se dois momentos importantes de manifestação da vitalidade da nossa fé: a Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo (Corpo de Deus), no dia 2 de junho, na qual professamos a nossa fé na Eucaristia; e a peregrinação diocesana a Fátima, no dia 22 de junho, pela qual manifestamos a nossa filial devoção a Nossa Senhora, Mãe de Cristo, Mãe da Igreja e nossa Mãe. Convido-vos a participar neles, pois muito ajudarão a revigorar a alegria e o entusiasmo deste povo que caminha cheio de esperança ao encontro do Senhor.

A concluir esta mensagem, e como vosso pastor, suplico-vos que, acima de tudo, vivais o mandamento novo que o Senhor nos deixou, quando nos disse: “amai-vos uns aos outros com Eu vos amei!” (Jo 15, 12).

Saúdo cada um de vós, confio-vos à proteção de Nossa Senhora e abençoo-vos em nome da Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo. Ámen.


+ Virgílio do Nascimento Antunes

Bispo de Coimbra