Exatamente
cinquenta anos depois da abertura do Concílio Vaticano II, o Papa celebrou na
manhã desta quinta-feira, 11, a abertura do Ano da Fé, por ele convocado com o
objetivo da Nova Evangelização e com o olhar dirigido ao futuro e ao novo
legado do Concílio.
Bento XVI
presidiu à Missa com um total de 400 concelebrantes: 80 cardeais, 14 padres
conciliares, 8 patriarcas de Igrejas orientais, 191 arcebispos e bispos
sinodais e 104 Presidentes de Conferências Episcopais de todo o mundo. Estavam
também presentes na Praça São Pedro Bartolomeu I, Patriarca Ecuménico de
Constantinopla, e o Primaz da Comunhão Anglicana, Rowan Williams.
O Papa iniciou a
sua homilia explicando que a celebração desta manhã foi enriquecida com alguns
sinais específicos: a procissão inicial, recordando a memorável entrada solene
dos padres conciliares nesta Basílica; a entronização do Evangeliário, cópia do
utilizado durante o Concílio; e a entrega, no final da celebração, das sete mensagens
finais do Concílio e do Catecismo da Igreja Católica.
Bento XVI disse
que o Ano da fé tem uma relação coerente com todo o caminho da Igreja ao longo
dos últimos 50 anos: desde o Concílio, passando pelo Magistério do Servo de
Deus Paulo VI, que proclamou um "Ano da Fé", em 1967, até chegar ao
Grande Jubileu do ano 2000, com o qual o Bem-Aventurado João Paulo II propôs
novamente a toda a humanidade Jesus Cristo como único Salvador, ontem, hoje e
sempre.
Lembrando aquele
dia, Bento XVI evocou o Bem-Aventurado João XXIII no Discurso de Abertura do
Concílio Vaticano II, quando apresentou a sua finalidade principal: “que o
depósito sagrado da doutrina cristã fosse guardado e ensinado de forma mais
eficaz”. O Papa Ratzinger revelou aos presentes o que experimentou: “uma tensão
emocionante em relação à tarefa de fazer resplandecer a verdade e a beleza da
fé no nosso tempo, sem sacrificá-la frente às exigências do presente, nem
mantê-la presa ao passado”.
Para o Papa, o
mais importante, especialmente numa ocasião tão significativa como a atual, é
reavivar na Igreja “aquela mesma tensão positiva, aquele desejo ardente de
anunciar novamente Cristo ao homem contemporâneo, sempre apoiado na base
concreta e precisa, que são os documentos do Concílio Vaticano II”.
“A referência
aos documentos protege dos extremos tanto de nostalgias anacrónicas como de
avanços excessivos, permitindo captar a novidade na continuidade. O Concílio
não excogitou nada de novo em matéria de fé, nem quis substituir aquilo que
existia antes. Pelo contrário, preocupou-se em fazer com que a mesma fé
continue a ser vivida no presente, continue a ser uma fé viva num mundo em
mudança”.
De facto –
prosseguiu o Pontífice – “os Padres conciliares quiseram abrir-se com confiança
ao diálogo com o mundo moderno justamente porque eles estavam seguros da sua
fé, da rocha firme em que se apoiavam. Contudo, nos anos seguintes, muitos
acolheram acriticamente a mentalidade dominante, questionando os próprios
fundamentos do ‘depositum fidei’ a qual infelizmente já não consideravam como
própria diante daquilo que tinham por verdade”.
Portanto, “se a
Igreja hoje propõe um novo Ano da Fé e a nova evangelização, não é para prestar
honras, mas porque é necessário, mais ainda do que há 50 anos!” – exclamou.
“Nas últimas décadas, observamos o avanço de uma "desertificação"
espiritual, mas, no entanto, é precisamente a partir da experiência deste vazio
que podemos redescobrir a alegria de crer, a sua importância vital para nós
homens e mulheres. E no deserto existe, sobretudo, necessidade de pessoas de fé
que, com suas próprias vidas, indiquem o caminho para a Terra Prometida,
mantendo assim viva a esperança. A fé vivida abre o coração à Graça de Deus,
que liberta do pessimismo”.
Este, portanto –
concluiu Bento XVI – é o modo como podemos representar este ano da Fé:
"uma peregrinação nos desertos do mundo contemporâneo, em que se deve
levar apenas o que é essencial: nem cajado, nem sacola, nem pão, nem dinheiro,
nem duas túnicas - como o Senhor exorta aos Apóstolos ao enviá-los em missão -
mas sim o Evangelho e a fé da Igreja, dos quais os documentos do Concílio
Vaticano II são uma expressão luminosa, assim como o Catecismo da Igreja
Católica, publicado há 20 anos".
Por fim, o Papa
recordou que no dia 11 de outubro de 1962, celebrava-se a festa de Santa Maria,
Mãe de Deus. “Que a Virgem Maria brilhe sempre qual estrela no caminho da nova
evangelização. Que Ela nos ajude a pôr em prática a exortação do Apóstolo
Paulo: ‘A palavra de Cristo, em toda a sua riqueza, habite em vós. Ensinai e
admoestai-vos uns aos outros, com toda a sabedoria... Tudo o que fizerdes, em
palavras ou obras, seja feito em nome do Senhor Jesus. Por meio dele dai graças
a Deus Pai’”.
(2012-10-11,
Rádio Vaticana)