EVANGELIZAÇÃO:
UMA RESPOSTA À "SEDE" DOS HOMENS DE TODO TEMPO E LUGAR
A Mensagem final
da XIII Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos sobre a Nova
Evangelização para a transmissão da fé cristã foi apresentada nesta manhã na
sala de imprensa do Vaticano. O texto foi dividido em 14 pontos.
O documento abre
com uma referência ao encontro de Jesus com a Samaritana junto do poço, trazendo a ânfora vazia (cf.
Jo 4, 5-42): é uma referência para a "sede" dos homens de todos os
tempos, muitos “são os poços”, mas é preciso "discernir " para não
correr o risco de ruinosas desilusões.
Reconhecendo
Cristo como o único portador da "água que dá a vida verdadeira e
eterna" e convertendo-se, a mulher samaritana "tornou-se mensageira
da salvação e conduz para Jesus toda a cidade”.
Conduzir os
homens a Cristo é uma emergência que envolve os cristãos de qualquer tempo e
lugar. Hoje, em especial, é necessário “reavivar a fé que corre o risco de ser
ofuscada”. Na "mudança de cenários sociais e culturais" todo o cristão
é chamado a viver de modo renovado a experiência comunitária de fé e o anúncio
através de uma evangelização
renovada no seu ardor e nos seus métodos.
A fé concretiza-se
“no relacionamento que estabelecemos com a pessoa de Jesus, que primeiro vem a
nós”. Na Igreja, "espaço que
Cristo oferece na história para encontrá-lo", é importante dar vida
a uma “comunidade acolhedora, onde todos os marginalizados encontrem sua casa
para experiências concretas de comunhão, que, pelo ardor do amor [...] atraem o
olhar desencantado da humanidade contemporânea".
Isso não quer
dizer inventar "novas estratégias", mas redescobrir as Escrituras - que os Padres sinodais recomendam
a "leitura frequente" - especialmente a "vida de Jesus" e a
maneira através da qual as pessoas se aproximaram Dele e por Ele se sentiram
chamadas e adaptadas às condições do nosso tempo.
O ponto de
partida da evangelização está em "evangelizarmo-nos a nós mesmos", dispondo-nos à conversão. "Sabemos - escrevem
os Padres sinodais - que devemos reconhecer humildemente a nossa
vulnerabilidade às feridas da história e não hesitar em reconhecer os nossos
pecados pessoais".
Ao mesmo tempo,
temos que confiar numa renovação cuja fonte é "a força do Espírito do
Senhor" e, portanto não depender exclusivamente da nossa força humana
limitada. É nosso dever "vencer o medo com a fé, o desânimo com a
esperança, a indiferença com o amor”.
Quando temos
consciência de que o Senhor venceu a morte e que o Seu Espírito opera
poderosamente na história, “não há
espaço para o pessimismo”. "A nossa Igreja é viva e enfrenta com a
coragem da fé e do testemunho de tantos de seus filhos os desafios da
história", lê-se na mensagem,
A evangelização
sempre teve como "lugar natural" a família que "é atravessada por toda parte por fatores de
crise, cercada por modelos de vida que a penalizam" e, por esta razão,
deve ser dado um "tratamento especial" em vista da missão que ocupa
na Igreja.
Os Padres sinodais
não negligenciaram o fenómeno da ‘convivência’ e as "situações familiares
irregulares construídas após o fim de casamentos anteriores: acontecimentos
dolorosos em que também sofre a educação à fé dos filhos". A Igreja também
ama estes irmãos e as comunidades devem ser “acolhedoras para com aqueles que
vivem em tais situações" e apoiar "caminhos de conversão e de
reconciliação".
Das comunidades eclesiais emerge
acima de tudo, o papel da paróquia que permanece "indispensável",
embora "as novas condições possam pedir seja a adaptação em pequenas
comunidades seja relações de colaboração em contextos mais amplos".
A paróquia torna-se
um veículo para a nova evangelização, permeando "as várias, e importantes
expressões de piedade popular". Na vida paroquial, cada figura deve
receber a justa valorização: do pároco ao diácono, do catequista ao ministro,
até o animador.
Sobre a juventude, os Padres sinodais
expressaram uma visão "preocupante", mas "longe de ser
pessimista”. Sobre os jovens convergem "as forças mais agressivas dos
tempos", todavia a eles “deve ser reconhecido um papel ativo na obra da
evangelização, especialmente para o seu mundo”.
No mundo da
juventude destaca-se em particular a Jornada Mundial da Juventude, mas existem
outras realidades "não menos atraentes, como as várias experiências de
espiritualidade, de serviço, e de missão".
O mundo da arte
é de considerável importância e a via pulchritudinis, o Caminho da
Beleza, é considerada "uma forma particularmente eficaz na nova
evangelização".
Através do
trabalho, acrescentaram os Padres sinodais, o homem torna-se "cooperador da criação de Deus”. Por esta
razão, deve ser resgatado "das condições que o tornam algumas vezes um
fardo intolerável e uma perspectiva incerta, ameaçado hoje pelo desemprego,
especialmente entre os jovens”.
Outro ponto foi
dedicado à política "à qual é pedido um empenho de cuidado desinteressado
e transparente do bem comum", à liberdade religiosa e ao diálogo
inter-religioso, instrumento de paz e contribuição contra qualquer forma de
"fundamentalismo" e "violência que abate sobre os que crêem, grave
violação dos direitos humanos”.
Agradecendo ao
Papa Bento XVI pelo “dom do Ano da Fé", os Padres sinodais sublinharam a
ligação positiva entre este ano e o 50 º aniversário da abertura do Concílio Vaticano II e 20° do Catecismo da
Igreja Católica. "São aniversários importantes – comentaram os
padres - que nos permitem reiterar a nossa forte adesão ao ensinamento do
Concilio e o nosso firme compromisso de continuar a sua plena implementação”.
Duas expressões
de fé mencionadas são a vida contemplativa e o serviço aos pobres, “reflexo de como Jesus é ligado a eles”.
O penúltimo ponto
diz respeito às Igrejas em diferentes regiões do mundo, com recomendações específicas para os cristãos
em cada continente. Na África, a Igreja é chamada a ser um ponto de encontro
entre as culturas antigas e novas, e mediadora para o fim dos conflitos e
violências.
Na América do
Norte, onde a secularização é bastante avançada, os cristãos devem ser abertos,
especialmente em relação aos imigrantes e refugiados.
Na América
Latina prevalecem os desafios da pobreza e da violência, juntamente com aqueles
- mais recente - do pluralismo religioso.
As comunidades
cristãs da Ásia, entre as mais prejudicadas e perseguidas no mundo, sendo a
minoria, são encorajadas a firmeza na fé.
A Europa,
marcada por uma secularização enraizada e muitas vezes agressiva, deve, através
de suas comunidades cristãs, responder a este desafio e superá-lo, encontrando
nisto "uma oportunidade para um anúncio mais alegre e mais vivo de Cristo
e do seu Evangelho de vida”.
Aos cristãos da
Oceania, recomenda-se o "compromisso de pregar o Evangelho e fazer Jesus
conhecido no mundo de hoje”.
Os Padres
sinodais terminam em forma de oração a Maria Santíssima, que "nos guia no caminho”. É a Ela, Estrela
da Nova Evangelização, que os cristãos se confiam, a fim que seja luz na noite
do deserto.
(zenit.org, 26 out
2012)
