PORQUE OS OVOS NÃO SERVEM SÓ PARA SE COMER!


Numa sociedade que apenas parece olhar o mundo sob o pesado espectro das finanças, custa a crer que um ovo não sirva apenas para se comer, não se confine somente a um produto para se comercializar.
Na verdade, o ovo tem outras funções, como por exemplo: ser arma de arremesso, quando se quer denegrir alguém; prestar-se como tela de pintura para crianças, quando chega a primavera; servir de inspiração artística ou arquitetónica, quando reparamos melhor na sua estrutura… Como ignorar que outrora foi motivo para um grande dilema filosófico (“quem nasceu primeiro: o ovo ou a galinha?”), ou para uma airosa resposta de Colombo (ilustrando que por vezes existem soluções difíceis de se alcançar, mas que quando são reveladas se manifestam, paradoxalmente, óbvias e simples)?
É interessante que os celtas, gregos, egípcios, fenícios, chineses e muitas outras civilizações acreditassem que o mundo havia nascido de um ovo. Com efeito, um ovo será sempre símbolo de um novo amanhecer, de um novo sentido, de uma nova vida, e (porque não?) de um novo ano pastoral!
Porque, mais do que nunca, assumimos a necessidade de «um empenho eclesial mais convicto a favor duma nova evangelização, para descobrir de novo a alegria de crer e reencontrar o entusiasmo de comunicar a fé (…) capaz de gerar» (Porta Fidei, 7), sejamos capazes de romper com tantas "cascas" que soam a transitório, de aprofundar as razões pelas quais nos afirmamos cristãos (cada vez mais num mundo plural), e de reavivar o nosso encontro pessoal com Deus (quem sabe esquecido, ou nunca sucedido) que nos impele a amar o próximo.
Ser cristão não é ficar para para sempre "dentro do ovo". Os ovos (também) servem para dar Vida!

Pe. João Pedro Silva