TEMPO DE
AVALIAÇÕES
Às vezes caímos na tentação de olhar para este
período do ano com um olhar cansado, talvez até mesmo desgastado. Parece um
tempo sem final onde o fim parece não chegar e o princípio, para lá do fim,
parece não querer entrar. É tempo de começar já a sonhar com novos amanhãs;
planeia-se férias e até mesmo o depois das férias. Mas, ao mesmo tempo ainda há
que fazer exames e terminar trabalhos, fechar contas e abrir balanços, chorar
despedidas e cantar promessas. E um sem número de outras coisas. Afinal, é tempo
de avaliações.
Este tempo de avaliações traz inquietações e
tensões que tornam tudo ainda mais intenso. Mas o facto é que é tempo de
avaliar. E avaliar o que é? Determinar o valor! E para isso é preciso um olhar
purificado de cansaços, capaz de adentrar no fascínio da delicadeza da vida.
Não estará o valor das coisas precisamente na delicadeza dos limites? E o
fascínio, na ilimitada arte das possibilidades que cada limite oferece?
Às vezes caímos na tentação de avaliar sem ter esta
pureza de olhar e sem dar a possibilidade de abrir os horizontes para que a
vida veja em frente um amanhã melhor que o hoje. Avaliar é determinar o valor
e, se formos um pouco mais longe na nossa capacidade de bem-querer, avaliar é
dar valor, aquém e além dos limites. Tempo de avaliações é tempo de desenhar o
futuro.
(Gonçalo Castro Fonseca, sj)
