QUANDO A
MISERICÓRDIA SE TRADUZ NUMA OPORTUNIDADE
PARA O LAXISMO
A crítica,
hoje, tem de ir sempre acondicionada de aspas, para não ferir suscetibilidades,
cuidando a forma como se faz (apesar de corresponder à verdade), sendo mesmo
preferível que não se faça (sob pena de se ficar para sempre marcado).
Somos frágeis, temos que acolher o pecador, temos
que nos colocar na sua posição… dizem. E, de facto, vamos procurando fazê-lo.
Mas, onde fica a verdade no meio de tanta
relatividade? Tudo nos é permitido, sabendo que a seguir seremos desculpabilizados,
perdoados (algo que frequentemente se correlaciona com o plafon de aceitação social que possuímos)? Por quanto tempo teremos
que hipotecar as palavras que denunciam o que está errado e afirmam o Caminho?
Por quanto tempo nos permitiremos o laxismo, a desresponsabilização? Nem tudo
depende do ponto de vista ou da capacidade imediata de esgrimir argumentos na
conversação. A crítica tem lugar quando
serve para elevar, construir. É um exercício de sabedoria saber fazê-la e
saber escutá-la.
Outra questão é a de se fazer caminho depois de se ter deixado confrontar com a verdade.
Aqui sim, Jesus dá-nos uma, duas, setenta vezes sete, oportunidades de
recomeçar. Mas é preciso reconhecer a verdade, esforçar-se realmente por recomeçar,
é preciso não perder de vista a meta. A verdade é que nos custa ser julgados, e
mais ainda, ver em cada crítica que nos é feita com sinceridade uma
oportunidade para ir mais longe.
Com efeito, não basta acolher as periferias, é
necessário fazer delas centro! Não será também isto construir comunidade?
P.e João Pedro Silva
