LUTO, O PREÇO DO AMOR
O luto, é a experiência de dor, de aflição que se
manifesta de diversas maneiras, devido à perda de algo ou alguém com valor
significativo para nós.
O luto pela perda de um ser querido é o indicador
do amor para com a pessoa falecida. Não há amor sem luto. C. M. Parkes, diz: “A
dor do luto faz parte da vida, exatamente como a alegria e o amor; é o preço
que pagamos pelo amor, é o custo da cumplicidade recíproca”.
O processo de elaboração do luto significa
reinstalar dentro de nós mesmos os seres queridos; dar-lhes uma presença
interna na qual o ser querido não seja um perseguidor interior que gera culpa,
mas uma boa recordação. Numa perda, cada pessoa faz uma experiência própria e
particular da dor, interpelando-se pelo sentido último da vida. Perante um ser
querido que parte, todos nos interrogamos pelo sentido da nossa vida.
Nem sempre reagimos da mesma maneira perante a
perda duma pessoa. A nossa reacção depende de vários fatores: se a morte de
alguém foi algo de anunciado (devido a doença prolongada), se perdemos alguém
num acidente terrível…
Num processo de luto aparecem reações a nível
físico, a nível emocional e a nível mental.
A nível físico aparecem o soluço, dificuldade em
respirar, rigidez física, secura na boca, falta de apetite, dor de cabeça,
insónias, falta de desejo sexual, problemas gástricos, tonturas… É o “luto do
corpo” o qual tem de ser escutado e acompanhado; se não se lhe prestar a devida
atenção, pode derivar em patologias físicas ou psíquicas.
A nível emocional, a experiência pode ir desde a
negação à raiva, da tristeza à ansiedade, do desinteresse à irritação, do vazio
à culpa. E não é mal que isto aconteça. Estas reações constituem um momento
transitório que contribui para canalizar e drenar a dor interna. É bom
permitirem-se algumas destas manifestações, ainda que pareçam que são
impróprias. É também frequente o sentimento de culpa; não só pela maneira como
foi vivida a relação ao longo da vida, mas também pela maneira como se viveu a
última etapa; sobretudo se não houve oportunidade de pedir e dar perdão.
No âmbito mental também há manifestações do luto:
dificuldade em se concentrar e em organizar os pensamentos, a recordação de
momentos passados, a saudade. O medo também aparece (às vezes até medo de
encontrar a pessoa nos lugares que ela frequentava anteriormente).
Ao elaborar o luto, não só integramos a perda,
aceitamos que o nosso ente querido morreu, mas também integramos a nossa
própria mortalidade
Elaborar a dor consiste em aprender a pensar sem
culpa patológica sobre a perda, ser capaz de expressar os sentimentos que esta
provoca, partilhá-los num clima de respeito e sem obsessões. Não é fácil nem se
faz num instante. É todo um caminho que se vai fazendo, sobretudo no campo dos
apegos afetivos.
Pe. José
António
