“A alegria do Evangelho enche o coração e a
vida inteira daqueles que se encontram com Jesus” (Papa Francisco, Evangelii
gaudium, 1).
Nesta Semana dos Seminários de 2014, reafirmamos a
nossa certeza de que o caminho da Igreja é o caminho da alegria do Evangelho,
ou seja, o caminho de Cristo, que transforma as dores da humanidade, a
tristeza, o desespero e a morte, em nova aurora de vida, de esperança e de
alegria.
Reafirmamos que o caminho da evangelização do mundo
passa pelo testemunho de vida de muitas pessoas, famílias e comunidades, que se
sentem felizes por estar fundadas em Cristo. Do mesmo modo, assumimos que a via
mais segura para o cultivo das vocações sacerdotais entre os jovens, exige que
todos nós, cristãos, vivamos e testemunhemos a alegria do encontro com o
Evangelho.
Rezamos pelos nossos Seminários, para que sejam
escolas de formação dos futuros padres, servidores da alegria do Evangelho.
1. Padre, discípulo com os discípulos
Ontem, como hoje, a Igreja e o Mundo reclamam
padres que sejam homens de Deus, cheios do Evangelho no coração e na vida,
apaixonados por Jesus Cristo, discípulos disponíveis para seguir o Mestre.
Não se pede ao padre que seja o compêndio de todas
as virtudes humanas e espirituais, o herói que tudo pode e supera, o mestre que
domina todas as áreas do saber, a perfeição no agir. Pede-lhe a humanidade e
pede-lhe o Evangelho que seja homem alegre e amigo fi el de Jesus Cristo,
cristão, que agradece o dom da fé como o tesouro da sua vida e o Evangelho como
a sua única via de fidelidade a Deus e aos homens.
A partir do batismo, porta de entrada na fé da
Igreja, ele começou a participar da alegria do Evangelho, que procura incarnar
na totalidade da sua existência, como um apaixonado por Jesus Cristo, que o
chama e um apaixonado pela humanidade que serve.
O percurso eclesial do padre, na fase da descoberta
vocacional, no período da formação específica enquanto seminarista e no
exercício do ministério ordenado, carateriza-se pelo amor incondicional à
condição de cristão/discípulo do Senhor. Ali encontra a razão de ser da sua
vida e a disponibilidade para acolher e anunciar a alegria do Evangelho, para
integrar a comunidade cristã e a servir, para seguir Cristo e convidar os
outros a segui-l’O.
2. Padre, pastor para os cristãos
A especificidade da vocação sacerdotal faz do padre
pastor dos outros cristãos, em virtude da graça do sacramento da Ordem, que o
configura com Cristo Cabeça e Pastor da Igreja.
A sua maior alegria está em acompanhar as
comunidades e em as ajudar a caminhar na fé, na esperança e no amor, a irem ao
encontro do Senhor e a progredirem como comunidades de discípulos missionários.
Sem deixar de ser cristão com os outros cristãos,
sem deixar de ser membro da comunidade, o padre é pastor dos outros cristãos e
dedica-lhes, com coração indiviso, a totalidade das suas capacidades e forças.
Sente a alegria de dar e de se dar para que todos tenham a Vida em abundância, tal
como Cristo se entregou na cruz e continua a entregar-se, em sinal de amor.
Quando anuncia o Evangelho, quando convoca a
comunidade, a orienta e conduz, quando preside em nome de Jesus Cristo,
sente-se realizado na sua ânsia de se dar e na concretização da sua vocação de
irmão de todos os homens e pastor do rebanho do Senhor. De um modo muito
especial, quando celebra a Eucaristia, manifesta a grandeza de Deus que
alimenta e enche de bens todos os famintos; quando perdoa e absolve em nome de
Jesus, manifesta o mistério de graça e misericórdia que habita o coração de
Deus.
Em todas as fases da sua vida, desde que conhece a
vocação à qual foi chamado, torna-se disponível para ser o rosto de Deus diante
da humanidade, para ser instrumento de Deus que aponta o caminho da Vida e
atualiza, por gestos e palavras, a salvação realizada por Jesus Cristo. O
Seminário é, já, o lugar, o tempo e a comunidade em que saboreia
antecipadamente a alegria de ser rosto, voz, mãos e coração de Deus.
3. Padre, servidor da alegria do Evangelho
O Papa Francisco convidou toda a Igreja a ser serva
da alegria do Evangelho e convidou todos os cristãos a renovarem o seu encontro
pessoal com Jesus Cristo, como o caminho da alegria, do qual ninguém é excluído
(cf. EG 3).
Enquanto chamado a viver na intimidade de Cristo, o
padre tem a oportunidade de conhecer de perto a fonte e as razões de toda a
alegria; enquanto chamado a configurar-se com Cristo, Pastor e Cabeça da Igreja,
entra em profundidade no seu mistério pascal, com Ele passa pela dor da cruz e
da morte, para com Ele testemunhar a alegria da ressurreição; enquanto enviado
ao mundo, tem por missão sintonizar com todos os homens e mulheres, assumir as
suas dores e acolher as suas alegrias, para as oferecer Àquele que renova todas
as coisas.
Ser servidor da alegria do Evangelho significa estar
com todos, especialmente com os mais pobres, com os que mais sofrem, com os
pecadores e doentes, para lhes comunicar a alegria do Ressuscitado, para
restaurar a esperança perdida, para ser sinal da bênção do Deus rico de
misericórdia.
O Seminário é tempo, lugar e comunidade, em que os
jovens aprendem a viver a alegria do Evangelho, em que sentem e assumem as
alegrias e tristezas da humanidade, no concreto da relação com as pessoas com
as quais se cruzam, dentro de casa, na escola de Teologia ou nos trabalhos
apostólicos.
4. Oração da semana dos Seminários 2014
Senhor, nosso Deus, nós Vos bendizemos,
porque nos chamastes a ser cristãos
e discípulos de Jesus Cristo, o único Mestre.
Nós Vos damos graças pelos pastores,
que nos conduzem às fontes da Palavra,
ao banquete da Eucaristia
e aos caminhos da Reconciliação.
Nós Vos pedimos pela Igreja,
para que, testemunhando a alegria do Evangelho,
gere no seu seio santas vocações sacerdotais.
Por intercessão de Maria,
nós vos pedimos pelos nossos Seminários,
escola de cristãos, discípulos e pastores:
servidores da alegria do Evangelho.
Ámen.
Virgílio do
Nascimento Antunes
Comissão
Episcopal das Vocações e Ministérios
